Rio – Dois estudos divulgados durante a 17ª Cúpula da ONU sobre Mudança Climática (COP17), que terminou sexta-feira, levantam dúvidas sobre a política energética do Brasil. Os levantamentos indicaram que o Brasil é, ao mesmo tempo, o quinto país que mais investiu em energias limpas e o sexto maior emissor de gases poluentes do mundo para fins energéticos.

O estudo que indicou a emissão de gases que provocam o efeito estufa foi feito pela consultoria britânica Maplecroft, e não levou em conta as queimadas, tidas como o principal motivo de o Brasil figurar entre os grandes poluidores do mundo. Além do gás carbônico, a pesquisa analisou ainda a emissão de outras substâncias que contribuem para o aumento da temperatura do planeta.

A boa notícia poderia ficar por conta da inclusão do Brasil na lista das nações que mais investem em energia renovável. O relatório, divulgado pela ONU, porém, inclui entre as renováveis as hidrelétricas, criticadas pelos ambientalistas por causa do impacto no momento de sua instalação — vide a polêmica em torno da Usina de Belo Monte .

Segundo a ONU, o Brasil está fazendo avanços significativos no setor das energias renováveis — que não inclui as hidrelétricas — mas ainda deixa de aproveitar seu potencial em energia solar e eólica. Para se ter uma ideia, o País produz menos de 5% do que poderia quando o assunto é aproveitar o vento para fazer energia.

Cortes de emissões: acordo global

Apesar das ressalvas, Carlos Rittl, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, não deixa de elogiar a posição política tomada pelo governo do Brasil na COP17.

O País foi um dos principais defensores de acordo global com peso legal sobre metas de cortes de emissões, que inclua inclusive os emergentes.

Também lutou pela aprovação do Fundo Verde para o Clima — que vai ajudar países pobres a se adaptarem às mudanças climáticas. O representante do WWF só acredita que o prazo com o qual o Brasil trabalha — prometeu redução de emissões até 2020 — deveria ser menor: “Acreditamos que o governo poderia estabelecer metas em menor prazo. Vários países não estão no caminho para cumprir as de 2020”.

Lei florestal criticada

O Brasil também foi cobrado durante a conferência em relação à aprovação do Novo Código Florestal, recém-aprovado no Senado e que irrita ambientalistas. Eles consideram que o código, que altera regulamentações de matas em terras particulares, vai aumentar o desmatamento no Brasil.

O Greenpeace aproveitou a conferência na África do Sul para pedir que a presidenta Dilma Rousseff vete a proposta. ‘Dilma para a motosserra’, escreveu a ONG em painel.

“O mundo espera que a presidenta reafirme o compromisso com o desenvolvimento sustentável e o combate às mudanças climáticas, vetando as mudanças na lei”, acrescentou o diretor iernacional da WWF, Jim Leape.

Fonte:http://odia.ig.com.br/

About Post Author

Deixe um Comentário