O Governo do Estado de São Paulo deve anunciar, nas próximas semanas, novos incentivos fiscais para o setor de renováveis em preparação para o leilão de energias limpas que deve acontecer até o final do ano, disse o subsecretário da área, Milton Flávio Lautenschlager

Técnicos da secretaria de energia já estão trabalhando na modelagem e no edital do leilão, que deve ficar pronto até o final do primeiro semestre. Ainda segundo o secretário, a secretaria da fazenda está preparando a extensão dos incentivos fiscais que devem incluir redução de ICMS para a fabricação, importação e venda de inversores de painéis solares e para a compra energia de fontes renováveis. Nos últimos anos, o governo paulista tem dado incentivos para equipamentos usados para gerar energia de fontes de biomassa, eólica e para a energia termosolar.

“Temos que colocar São Paulo em uma posição mais favorável em todas as renováveis”, explicou o subsecretário de energias renováveis.

Apesar de ser o estado mais industrializado do país e abrigar fabricantes importantes na cadeia eólica como Wobben, Tecsis, Siemens, GE e Engebasa que produzem pás, turbinas e torres, São Paulo tem uma capacidade instalada eólica de 2kW e de 1,1MW de solar fotovoltaicos, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Sem mais possibilidade de aumentar a capacidade instalada hídrica, São Paulo procura outras fontes inclusive geração de energia de resíduos sólidos, mais biomassa, biogás, solar fotovoltaica e eólica, esta última baseada no Atlas Eólico lançado em 2013, que comprovou um potencial instalável no estado de 4,7GW a alturas de 100 metros.

“As medições constataram ventos com velocidade de 6,5m/s ou mais em muitas regiões do estado”, afirmou.

O estado tem uma capacidade instalada elétrica de 25,2GW, dos quais 70% vem de hidroeletricidade e cerca de 28% de termoelétricas, incluindo biomassa. Na matriz energética total, as renováveis representam 55%.

“As medidas visam atender ao Plano Paulista de Energia (PPE) que tem meta de ter 69% de renováveis na matriz até 2020 para, no mesmo período, reduzir as emissões de CO2 em 20% em relação aos níveis de 2005”, lembrou Lautenschlager.

Lautenschlager informou que assim que os incentivos e o leilão forem anunciados, muitas empresas com que quem ele tem se encontrado devem confirmar projetos de geração renovável.

Diferentemente dos leilões de energia do governo federal – nos quais a energia é comprada pelas distribuidoras – e do recente leilão de energia solar organizado pelo estado do Pernambuco – no qual a energia foi comprada para abastecer edifícios do governo estado – o leilão paulista deve atrair compradores como grandes e médias indústrias e estabelecimentos comerciais com alto consumo de energia.

“Grandes redes de supermercados, call centers e hospitais estão interessados em comprar energias renováveis”, lembrou.

Lautenschlager deu o exemplo do shopping center SG Par/North Shopping, na cidade de Votuporanga, que fechou um acordo para comprar energia solar de uma usina solar fotovoltaica de 6,5MW que será construída pela Solatio Energia por R$32,5 milhões (US$13,9 milhões). Segundo a prefeitura de Votuporanga, a empresa aguarda os incentivos para começar o projeto.

Entre os grandes grupos interessados em investir em energia estão o grupo Votorantim que, segundo o subsecretário, têm planos para uma eólica de 42MW para atender as suas necessidades energéticas e a montadora japonesa Toyota, que quer suprir suas operações no estado com energia fotovoltaica.

Fonte:http://www.rechargenews.com/

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